Entre a chuva e a lareira

Está uma tarde de Inverno bastante chuvosa, enquanto o vento tamborila nas janelas e o céu se veste de cinzento, profundo, a casa transforma-se no meu refúgio (acolhedor) preferido. Em frente à lareira, vejo as chamas dançar a um ritmo hipnotizaste, lançando reflexos dourados pelas paredes. Hoje são elas e os meus cães os ternos companheiros na viagem dos pensamentos e no arrumar das gavetas da mente. Enrolada nas mantas macias, sinto o conforto a envolver -me o corpo, como se o calor tivesse nas minhas próprias mãos.
O estalar da lenha mistura-se com o som da chuva que teima em cair lá fora. Criando uma melodia tranquila que me convida a desacelerar.
Na mão, um copo de vinho, cuja a cor rica me lembra as tardes longas e serenas nas encostas do Douro. Cada gole aquece, suavemente, a minha alma e desperta memórias adormecidas; algumas boas outras nem por isso, umas cheias de alegria e sorrisos e as ultimas carregadas de nostalgia e saudade.
Os pensamentos vagueiam, libertos de pressas ou obrigações. Aproveito estas pausas no caos do dia-a-dia para deambular por tudo aquilo que, normalmente, não tenho tempo; vou das recordações antigas aos sonhos por cumprir e repouso nos pequenos momentos que ficaram guardados em silêncio — tudo encontra espaço nestes dias. Que para muitos se tornam aborrecidos, mas, para mim relaxantes e muito reveladores. É um daqueles instantes raros em que o mundo parece suspenso, e o simples ato de estar presente se torna suficiente.
Lá fora chove sem tréguas. Aqui dentro, a alma descansa, o coração sossega e o corpo entra em modo de repouso.




