Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Desabafos de uma Adulta ao Contrário ⌨️

Fragmentos vagos de um cérebro em constante agitação e de um espirito solto, livre e desassossegado.

Desabafos de uma Adulta ao Contrário ⌨️

Fragmentos vagos de um cérebro em constante agitação e de um espirito solto, livre e desassossegado.

IMG20250911201850.jpg

Todos os dias, à mesma hora, largo o que estou a fazer. Posso estar a meio de um e-email urgente, a terminar um relatório ou até a meio de uma reunião — não importa. Quando o relógio marca onze e trinta, ponho tudo de lado, pego no telemóvel e faço o mesmo gesto de sempre: ligar para o número que ainda não sei de cor, mas, é como se fosse parte de mim!

Do outro lado, noutra cidade, estava o colega — amigo — talvez algo mais do que isso, embora nunca o tivéssemos dito em voz alta. A conversa começa sempre com um sorriso, ainda que seja só audível, como se ambos respirássemos fundo e o mundo ficasse em pausa durante os minutos da ligação.

Falamos de tudo e de nada. Do dia, das pessoas, dos disparates que vemos, dos sonhos que temos (alguns em comum). E assim, sem me dar conta e saber porque; as saudades que crescem e a vontade de beber o prometido gin aumenta.

Às vezes riamos tanto que esquecemos o cansaço do dia inteiro. Outras vezes, o silêncio entre uma frase e outra diz mais do que mil palavras, mas é um silêncio confortável, como quem se entende só por estar ali.

A verdade é que aquelas chamadas passaram a ser o meu momento preferido do dia. São como um pequeno abrigo onde posso e consigo descansar, onde sou aceite, ouvida, onde sinto que sou valorizada e que mesmo à distância a minha essência foi captada. É aqui, nesta chamada, que o meu coração encontrava repouso e os meus pensamentos ficam em silêncio.

Mas há dias em que o telefone não toca do outro lado; dias em que o silêncio substitui a voz, e nesses momentos o mundo parece um pouco mais cinzento e bastante vazio. Sinto falta de o ouvir rir, de o ouvir dizer “estou aqui”. E essa ausência doía mais do que quero e posso admitir. Não o quero dizer em voz alta ou a um amigo, apenas o consigo escrever aqui. Assim parece menos real.

Mesmo assim, todos os dias às onze e trinta, tento. Porque a esperança de ouvir aquela voz (doce, limpa e carinhosa) é maior do que o medo do silêncio.

E neste pequeno ritual diário, descobri algo precioso: que às vezes, basta uma voz para fazer tudo valer a pena. E que há pessoas que, mesmo longe, conseguem estar mais perto do que qualquer outra que, por vezes, anda de braço dado connosco.

                                                                                                                                    IMG20250908070834.jpg