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Desabafos de uma Adulta ao Contrário ⌨️

Fragmentos vagos de um cérebro em constante agitação e de um espirito solto, livre e desassossegado.

Desabafos de uma Adulta ao Contrário ⌨️

Fragmentos vagos de um cérebro em constante agitação e de um espirito solto, livre e desassossegado.

10 Ago, 2022

As Lembranças

 

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Caminho pela rua sem querer abrandar o passo. Segue ao compasso da minha mente.

Contemplo as velhinhas (à janela) a saudar aqueles que passam e que, de alguma forma, lhes fazem companhia e trazem um bocadinho de cor aos seus dias; Desço mais um bocadinho e chego ao pé dos garotos que, assim que me veem, me atiram a bola e me obrigam; a ter que dar um chuto para que ela chegue novamente até eles. Digo bom dia, com um sorriso rasgado, e vou descendo mais um bocadinho até que chego ás escadas do tio José Marques (nunca só José), onde estão os amigos infância (ainda jovens) apenas com algumas cicatrizes deixadas pelo tempo... sentados a jogar à sueca. Sem nunca dizer uma palavra. E ai de quem o faça! dizem eles que a sueca é um jogo de mudos. Dou a salvação e continuo a descer a rua da minha aldeia e a saborear as memórias (tão felizes) da minha infância e do tempo passado com os meus avós.

Chego finalmente ao sítio que me fez iniciar aquela viagem. Ao tanque da aldeia! Adorava ir para lá, ficar sentada a mexer na água e a pensar nos dilemas típicos daquela tenra idade. 

Foi o que fiz agora, já adulta. Descalcei-me, sentei-me na pedra comecei a brincar na agua e deixei-me levar. 

Foi nesse momento que veio até mim as memorias da minha avó, naquele tanque, a lavar os cobertores para que não estragassem a máquina. A memória do sorriso dela enquanto me atirava umas gotas de água porque sabia que eu gostava; a lembrança do meu avô no terreno ao lado numa azafama constante para que nunca faltassem os legumes frescos. Entre outras coisas que me enchem o coração. 

Senti o perfume deles, o abraço deles e ouvi os seus sorrisos enquanto diziam que gostavam comigo. Deixei cair uma lágrima. Era a gotinha das memórias felizes, das histórias que ficam para transmitir aos filhos da importância das raízes, do amor dos avós e de toda a sua sabedoria e companheirismo.

Era a gotinha das saudades, da vontade de abraçar novamente e de voltar a ter o conforto e o aconchego das ruas e dos sítios de antigamente.

 

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Bom dia !

08 Ago, 2022

A velha Igreja

 

 

A noite estava cerrada e a julgar pelos nuvens que dançavam no céu adivinhava-se uma grande tempestade.

Sabia que estava na hora de recolher, mas as memorias não me deixavam descolar dos degraus da velha igreja... que outrora foi o nosso cantinho das confissões, das risadas, das promessas e das viagens  que traçamos enquanto sonhávamos acordados. 

Ai ai... que saudade desinquietante... Eram bons aqueles dias em que parávamos o tempo e era sempre meio dia, meia tarde e por fim; meia noite!

Dou por mim a ouvir o sino, a fechar os olhos e a deixar ecoar um riso...

É nesse momento, ainda entre cá e lá, que sinto uma gota a deambular no meu  nariz; fria, mas suave. Era como se me estivesse a dizer "olá" e me quisesse trazer de volta à realidade.

Fiquei chateada com ela, porque foi nesse momento que me apercebi que talvez não  quisesse voltar.

 

 

Boa tarde!

Que as escadas da velha igreja sejam o abrigo de muitos, como foram o meu durante longos anos! 

Não tenham medo de regressar ao lugar onde já viveram e sentiram muito. Mesmo que já não faça sentido... se ainda fizer sorrir é porque valeu a pena! Se causar dor fica a recordação e a certeza do que não devemos voltar a fazer.